quarta-feira, 19 de julho de 2017








quarta-feira, 12 de julho de 2017

Suicídio, Mídia e Medo de Viver: Os riscos das nossas vivências contemporâneas.


“E se único jeito de não se sentir mal
fosse parar de sentir qualquer coisa para sempre.”
(Hannah – 13 Reasons Why)


Em tempos de “13 reasons why”, “Baleia azul” e das cenas que levantaram alguns suspiros com a trágica decisão do personagem Will no filme “Como eu era antes de você”, refletimos e questionamos as diversas vertentes do suicídio. E por que esse ato tão aniquilador se tornou assunto e tomou a mídia em suas diversas maneiras de serem vividas?
Sabemos e entendemos que nós vivenciamos um impulso autodestrutivo desde a infância, mas também sentimos uma pulsão que implora e luta pela vida desde o ventre materno. O que tem feito com que esse quadro não se equilibre e estejamos frequentemente vivenciando o suicídio tão de perto?
O suicídio é uma possibilidade genuína e sempre foi, mas a possibilidade ou tentativa deste ato só existe em um individuo no qual o processo de amadurecimento esteja impedido, e essa falta de desenvolvimento vem aumentando a cada dia.
Com a mídia e as redes sociais trazendo informações e possibilidades grandiosas, sonhos e planos cada dia mais altos, vamos construindo casas perfeitamente decoradas, casamentos de contos de fadas, férias encantadas e filhos perfeitos. Tiramos uma foto de cada um desses momentos únicos e ficamos felizes por alguns segundos. Mas e depois? Depois é a vida. A vida com a beleza e suas dores, perigos e conquistas. E não é nada fácil viver com esse risco do “e depois”.
Ao mesmo tempo, isso é doloroso e sem graça e, por essa razão, negamos e achamos tudo muito desagradável. Desejamos não sentir a vida e seus percalços. Não conversamos sobre essas situações e problemas, pois esses sentimentos de fracasso aparentam ser vividos somente por quem os sofre e sente a dor. Também, porque é vergonhoso mostrar que não conseguimos ou que não somos bons o suficiente e nos esquecemos de que ao nosso lado está apenas um outro humano.
“Meus pais precisam que eu seja alguém sem problema.”
(Hannah- 13 Reasons Why)

Todas essas questões sociais: violência, acúmulos de informações e menos contato e conversas fazem com que nos enclausuremos em nossas casas “super seguras” e protegemos profundamente os filhos dessa geração. O que, de certa forma, torna o indivíduo cada vez mais sem repertório social e sem repertório de resolução de problemas, faltando assim recursos de defesa e enfrentamento.
Percebe-se, portanto, que aí está o risco, porque essas situações m, aparentemente, gerado uma necessidade de viver grandes emoções, para se sentir vivo, busca-se enfrentar os limites e, às vezes, envolver-se em situações de risco, para assim, tornar-se um herói corajoso  ou, talvez, encontrar um medo paralisador que pode fazer desistir de viver e de sentir para sempre.
A forma de enfrentarmos tudo isso é entender que existe uma diferença entre o falso si mesmo, tão aclamado socialmente, e a individualidade real de cada ser humano. Respeitar e conversar mais sobre as durezas de ser, sentir e viver como algo fortalecedor para o processo de individualizar e desenvolver-se como um ser humano, valorizando as diferenças e o ser no homem. Desromantizando as dores e as mortes, trazendo-as como parte da vida real, pois são partes essenciais para sermos realmente felizes e completos.
“Mas só pode morrer quem existiu e existir é acontecer
e agir no mundo humano.”

(D.W. Winnicott)

Hellen Macias Dias
Psicóloga-CRP 06/66014